Quem teme o pensamento crítico? Ataques a Paulo Freire no Brasil e seu legado para a Didática das Ciências Sociais
DOI:
https://doi.org/10.17398/2531-0968.19.158Palavras-chave:
Paulo Freire, Didática das ciências sociais, populismo autoritário, educação brasileira, pensamento crítico, guerra culturalResumo
A ascensão global de populismos autoritários impactou profundamente o campo educacional, promovendo instrumentos de controle ideológico e ataques a pedagogias críticas. Nesse contexto, o artigo analisa os ataques dirigidos à obra do educador brasileiro Paulo Freire, situando-os dentro de um cenário mais amplo de avanço de movimentos conservadores e neoconservadores na educação brasileira, especialmente a partir da segunda década do século XXI. Partindo de uma articulação entre a análise política e o campo da Didática das Ciências Sociais (DCS), o trabalho realiza um duplo movimento. Primeiro, examina a natureza e os agentes desses ataques, argumentando que representam uma ofensiva antiacadêmica e antidemocrática dentro da chamada "guerra cultural". Segundo, propõe um diálogo produtivo entre o pensamento de Freire e os fundamentos epistemológicos da DCS, argumentando que sua concepção dialógica, horizontal e centrada na realidade do educando oferece bases sólidas para um ensino das ciências sociais que promova o pensamento crítico e a desnaturalização do mundo social. O artigo conclui reafirmando a atualidade do legado freireano como resposta fundamental aos embates atuais contra uma educação democrática e emancipadora.
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